São Valentim

Fevereiro 14, 2013

É quando me deito que sinto mais a tua falta. Quando o meu cérebro faz a última revisão do dia que eu gostaria de te contar. Pergunto-me o que acharias dos meus lamentos. Insignificantes, provavelmente, consegues ser muito mais pragmático que eu. Acho que não me importaria, essa leveza com que encaras tudo dá-me as vezes uma certa calma.

Pergunto-me o que terás tu andando a fazer… Se te perguntar vais responder-me que “nada”. Mas esse teu “nada” para mim é tanto, que ficaria horas a ouvi-lo. Conseguiria imaginar todas as cenas, à medida que mas contasses. Tu a veres futebol, três ou quatro jogos numa dia, todos de ligas diferentes. O encontro com os teus amigos, dos quais posso mesmo visualizar dois ou três. Os sitio aos quais tiveste que ir, mesmo que não os conheça… O teu rabujar constante, só porque sim.

Ás vezes invejo-te por essa tua ponderação, por essa calma… Nada em ti parece ferver, a não ser o futebol, claro. E já não me surpreendia assim há tanto tempo. E é tão bom estar de volta a palavras melosas, seja por ti, seja por quem for…

Fizeste-me voltar a vontade de vir aqui remexer em palavras e sentimentos, de escrever, de ler estas relíquias perdidas, das quais me esqueço constantemente (bem que faço por isso). É curioso como ao fim de algum tempo consigo distanciar perfeitamente o texto da pessoa para quem o escrevi. É como se nunca tivessem sido escritos para ninguém. Na verdade, não foram, foram escritos para mim. A pensar em alguém, é certo, mas era simplesmente eu a dizer a mim própria aquilo que gostaria de ouvir.

Agora olho para eles e tenho uma vontade de sorrir enorme… Nunca fui boa a dar continuidade a coisas deste género, mas nunca tenho coragem de acabar com isto. Fica sempre uma nostalgia, uma necessidade de manter o porto onde atracar de vez em quando, para me lembrar que nem toda eu sou feita de pedra. Era tão mais fácil para mim se fosse.

Seria mais fácil para mim e para ti, porque eu não teria esta vontade urgente saber de ti, de sermos juntos. E digo “sermos” e não “estarmos”, exactamente porque o “estar” é muito físico, e essa não é, de longe, a minha maior necessidade. Talvez assim eu conseguisse gerir o que eu quero com aquilo que podemos ter. Mas eu nunca fui boa nisso.

Nunca aprendi a chegar a ninguém. E tenho imensa pena, porque agora sinto-me completamente impotente para chegar a ti. Acho que é por isso que me atrapalho tanto, que me confundo tanto… Esperei sempre que viessem ao meu encontro, e agora não sei fazer o percurso inverso.

Perdoa-me ser tão atabalhoada, mas ha muito tempo que não sentia uma borboleta miudinha a dançar-me no estômago. É tão bom, faz-me sentir tão leve… E é tão giro ver que as coisas que escrevi aqui, algumas eu poderia dizer-tas, porque também se aplicariam a ti. Não porque tivesses alguma coisa a ver com aqueles para quem as escrevi, mas porque estas frases soltas são, no fundo, só minhas. E como são minha eu dou-as a quem quiser…

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