Não vás.

Maio 5, 2007

    É sempre assim quando te vais embora. Parece que estão a arranca-te de mim. É aquele despedir atabalhoado, indiferente e fingido. Eu fico pendurada no nada.

Prefiro caminhar quando é assim. Andar por andar é sempre melhor que sentir só a tua falta. Nunca quero voltar a casa nestes dias, porque lá ainda me fazes mais falta. Pelo caminho vou engolindo as lágrimas que jurava que nunca ia chorar. Agora sabe-me bem chora-las, eu devo ser masoquista. Agora parece que me aliviam momentaneamente até poder ver-te outra vez.

A entrada do meu prédio, a viagem de elevador, o rodar a chave na porta… Só quero que tudo seja feito muito devagar, sem pressas, porque eu não tenho urgência em confirmar que o meu quarto esta vazio. Odeio o rodar da chave na porta. Odeio aquele barulho das duas voltas antes de ela abrir. Mas odeio ainda mas ouvir o mesmo “trac-trac” a fecha-la. É o sinal de que não voltas mais hoje. Nem hoje nem o rápido suficiente para eu não ter tempo de sentir a tua falta. Esta falta vai-se acumulando, porque o tempo que estamos juntos nunca é suficiente para apagar saudades. Por isso é que quando estás para te ir embora eu me agarro a ti, eu não quero que vás, eu não quero dormir sozinha, eu não ficar toda agoniada por não saber quando será a próxima vez que estamos juntos.

É sempre assim quando te vais embora. O meu quarto fica desarrumado e a minha cama aberta, à espera que nos deitemos. É aqui que me fazes mais falta. Aqui onde eu posso ser pequenina ao teu lado, a contar as estrelas florescentes do meu tecto, a falar à menina e a sentir-me abraçada por um segurança de tesouros frágeis. Porque eu não preciso de ser sempre forte e bem disposta e segura. Aqui eu ainda posso brincar aos meninos, ser inocente e frágil e mimada. Eu gosto de ser mimada.

É sempre assim quando te vais embora. Eu choro durante as horas que estou sozinha e ninguém vê (porque eu tenho sempre de fingir que sou forte), vou deitar-me na cama ainda aberta e abraçar-me a tua almofada. Vou fingir que essa almofada és tu abraçado a mim ate conseguir adormecer calminha… Porque amanha eu tenho de ser forte outra vez. E amanha tu não estás cá.

Deve ser castigo por atentarmos à felicidade de muitos que nos querem ver separados. Mas por enquanto que continuem a roer-se de inveja, que ela há-de matar mais depressa que o que me rói enquanto espero por ti.

Inês Amorim

5 Respostas to “Não vás.”

  1. chevalierdapassa said

    Definitivamente, amo o q tu escreves.

    Podes vir para o meu colo, dormir encostada a mim enquanto entrelaçamos estrelas no cabelo e sonhos por entre os dedos! =)

  2. Martinha said

    🙂

    vou dizer uma banalidade: adorei!

    bebi, acho que é uma grande palavra, aquilo que escreveste =)

    beijinho grande

  3. Miguel de Albuquerque said

    “Don’t you know how hard it is to me to smile and say godbye? It’s not that easy, not that easy”

    Adorei pequenina e bem se podem roer pq nos tamos pa durar😉
    gosto mt de ti**@@

  4. Catarina said

    Definitivamente és a razão para os meus olhos brilharem de orgulho..

    E pensar que te conheço mesmo antes de não escreveres as palavras, quando apenas pensavas nelas…

    Adorote nês**** tenhu saudades…

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