Eu confesso.

Setembro 29, 2009

Confesso que sinto falta daquele mimo privado, só meu, só para mim. Sinto falta dos gestos simples, como as pontas dos dedos a começarem uma viagem muito lenta no meu braço, passaram na clavícula, subirem aos meus lábios e finalmente desceram, até ao umbigo, a percorrer o meu corpo como se fosse um piano delicado. Tenho saudades dos arrepios quase audíveis, de sentir os meus poros dilatarem, de, com deleite, sorrir e encolher a barriga, fingir que fujo às cócegas quando quero que elas continuem…

Confesso que me faz falta os segredos em sussurro, os suspiros no meu pescoço e as declarações embaraçadas, espontâneas e quase infantis. Sinto falta de deixar que alguém me veja, do deitar a cabeça num peito em que o coração bata por mim, de me sentir segura num abraço maior que eu e de então ser pequenina e mimalha. Tenho saudades de ouvir coisas bonitas…

Confesso que até da ansiedade de gostar eu sinto falta. O olhar, o fugir, o voltar, dizer que não quando queria dizer que sim, dizer que sim quando devia dizer que não, fingir-me indiferente, correr atrás, correrem atrás de mim, insinuar, fazer-se despercebido…

Tocar com os dedos das mãos num sem querer muito mal disfarçado. Brincar com as mãos debaixo do assento para que ninguém veja e nós possamos fingir que não se passa nada. Como eu adoro o fingir que não se passa nada. A pergunta, a não resposta. Não é sim, não é não, talvez quem sabe… Ficar nessa incerteza deliciosa e repetir. Repetir o aproximar, o afastar, os olhares de desejo, as mentiras que dizem serem mentira, o sorriso endiabrado no canto da boca, a vontade…

Tenho saudades da tensão do meu corpo quando estou muito perto de alguém que quero e tenho simplesmente de ficar quieta. Sinto falta do baile que danço, enquanto me deixo aproximar para fugir a seguir, quando deixo que me agarres para te fazer largar-me, quando os nossos lábios ficam muito perto, mas mesmo assim não se tocam…

Confesso que sinto falta de gostar. E sinto falta da correspondência também. Sinto falta da espera ansiosa, da incerteza do dia seguinte, da certeza que é contigo que quero ficar. Tenho saudades de me sentir importante, de que me conheças melhor que ninguém, de que saibas dar-me a volta quando faço birra, que eu quero que fiques quando eu digo que não…

Tenho saudades de rebentar de felicidade, de dar um beijo apaixonado que parece que vai durar para sempre, de sentir o meu coração a rebentar do peito. Sinto falta de me perder nos teus olhos, em silencio, e sorrir até adormecer convencida que aqui e agora não há felicidade maior que dormir ao teu lado…

Sinto falta que me tirem esta armadura do peito, o peso dos ombros e os dentes de fera para que eu possa voar de contente, de amor,  de menina…

Setembro 3, 2009

Ainda estou furiosa com as más línguas.