Vim à janela ver a noite lá fora. Ela gosta de me chamar de vez em quando.
Infelizmente não tenho varanda, por isso fico metade dentro, metade fora, a olhar…
Está a levantar vento. Hoje a noite não está especialmente bonita, mas está aliciante.
A vista da minha janela é das piores. Traseiras de prédios sujos e velhos, roupas estendidas, rua de acesso a garagens que nem é rua, é um bocado de cimento que puseram em cima de terra e que já rebentou.
Não há estrelas hoje. As nuvens cobrem o céu e correm de um lado para o outro, quero fugir cm elas.
Vai salvando o cenário os candeeiros espetados que nem girassóis, mas sem pétalas. São só bolas redondas amarelas e toscas, que dão aquele tom dourado à luz e um aspecto sinistro às sombras.
Ai o vento a fazer barulho! A passar os prédios, nos carros, no cascalho do chão. A agitar as folhas das árvores, a dançar com as folhas das árvores.
Parece o sussurro do mar ao longe, com as ondas a rebentar na areia.
Falta-me o cheiro do mar, em vez deste cheiro nefasto de cidade molhada.
Quero voar! Atirar-me da janela e seguir com o vento, tão leve, tão solta, tão livre!
Quero ser louca e uivar à lua que não vejo.
Hoje a noite quer brincar comigo. E eu quero sair de casa, correr por ruas desertas, dançar com as folhas e o vento, perder-me em caminhos desconhecidos.
Quero a adrenalina deste mal louco que se apoderou de mim e se esconde no num sorriso no canto da boca.
Hoje sou tudo o que quero. Mas a maldita razão manda-me para a cama som sono, à espera que me comporte como boa menina.
Eu não quero ser boa menina, hoje não. Mas hoje tem de ser.
Vou guardar-me para um dia em possa usar alter ego endiabrado…
Eu acredito.
Abril 6, 2008
Eu acredito em pessoas especiais, em grandes sonhos e em inocência espontânea, afinal eu so sou espontânea quando sou inocente.
Acredito na frontalidade, na sensatez e no bom senso. No bem das pessoas e no mal também.
Acredito que nos enganamos, que nos arrependemos e que choramos, mas também acredito em perguntar, em ouvir e em compreender.
Acredito na vida, nas coisas boas e nas recordações!
Em finais felizes, em amores para sempre e em formas de amar diferentes.
Em gritar com tudo o que está nos pulmões, em gargalhadas com vontade e em sorrisos significativos.
Em estar sempre bem, mas quando não estiver heide ter quem me ajude.
Que ter medo me faz fugir, mas que haverá alguém para me encontrar.
Acredito que os livros no ensinam a falar, as fotografias a ver e os filmes a sonhar com hipóteses que não imaginamos. A música são sentimentos.
Eu acredito em melhores amigos e em amigos para sempre.
Acredito que um dia vou ser grande e rica e um pouco cabra talvez.
Acredito que a areia me envolve os pés para me proteger, que a lua olha por mim e que o mar… O mar sou eu, numa escala incrivelmente maior.
(Perdoem-me a poesia, mas eu acredito em poetas.)
Vamos brincar de crianças
fingir que somos pequenos
que somos esperanças.
Vamos brincar de meninos
fingir a inocência perdida
na altura em que a responsabilidade
no foi posta e exigida.
(é bom sentir-me assim outra vez)
Innocence – Avril Lavigne (vá a miúda vai tendo coisas audiveis…)