20º Despedida…
Março 19, 2008
—–Olhou para os olhos dela à procura de uma lagrima mas encontrou o bambular de um sorriso triste…
—–- Não choras? – perguntou.
—–- Tenho as lagrimas presas num abismo qualquer… Hei-de chorar, um dia, quando for inundada por um mar de tristeza repentino e inexplicável… Mas agora não vou chorar, voo sozinha, dou espaço à minha alma para se despedaçar aos poucos e quando cair a ultima peça choro… A tua partida, a nossa despedida, o que ficou por dizer, o não ter chorado…
—–“Aquela triste e leda madrugada” lembrou-se “em que se diz adeus ao passado e olá a um futuro inserto, por muito que nos custe deixar tudo para trás…”
—–Olhou-a mais uma vez… Continuava perto dela mas nunca a sentira tão distante, e estava linda, lapidada em gelo, com um sorriso torcido…
—–“Não chores por mim!” pensou “Lembrarei para sempre esse teu ar gelado que esconde o teu lado quente que sente, que chora, que só aparece mais tarde mas que eu sei que está lá, porque mostraste-mo, porque te entregaste… E agora fechas-te de novo em copas tal como eu te conheci, sem lagrimas, sem magoas, com os mesmo olhos de vidro… Só muda o teu sorriso e sorrio por te conseguir conhecer! O teu sorriso antes era franco, aberto, este é torcido, de quem deseja esquecer depressa mas lembrar para sempre…
—– Hei-de encontrar-te, um dia… Encontrar-te-ei com nova luz, de quem já esqueceu… Perguntar-te-ei se já choraste por mim mas não vais responder, vais sorrir ou rir mesmo! E eu vou ser capaz de decifrar esse sorriso, como vi agora esses lábios torcidos…”
—–Ele foi-se afastando a olhar para trás, a contemplar aquele ar gelado… Por segundos desejou que ela lhe dissesse adeus, só que ela continuou imóvel e calada; mas, quando conseguiu realmente vê-la, sentiu não um “adeus” mas “até breve”!
Olhou de novo mas ela já não estava lá… Voltou-se para a frente e sentiu fundir-se nele o mesmo gelo, o olhar de vidro e o sorriso torcido de quem deixara para trás, mas que levará sempre consigo…
Fim
Neste infinito fim que nos alcançou
Guardo uma lágrima vinda do fundo
Guardo um sorriso virado para o mundo
Guardo um sonho que nunca chegou
Na minha casa de paredes caídas
Penduro espelhos cor de prata
Guardo reflexos do canto que mata
Guardo uma arca de rimas perdidas…
Na praia deserta dos dias que passam
Falo ao mar de coisas que vi
Falo ao mar do que conheci…
Num mundo onde tudo parece estar certo
Guardo os defeitos que me atam ao chão
Guardo muralhas feitas de cartão
Guardo um olhar que parecia tão perto
Para o país do esquecer o nunca nascido
Levo a espada e a armadura de ferro
Levo o escudo e o cavalo negro
Levo-te a ti…
Levo-te a ti…
Levo-te a ti…
Levo-te a ti para sempre comigo…
Na praia deserta dos dias que passam
Falo ao mar de coisas que senti
Falo ao mar do que nunca perdi…
Toranja