Asa que reflecte a noite…
É a tua, é a lua
É o seu brilho intenso
É o extasie perfeito
Do cheiro do incenso!
É engano, é preguiça
É o desejo (que atiça)
É a sombra (de quem cobiça)!
É a asa que voa,
Que esconde e destapa!
Que dá a vida!
Que mata!

15º Primeiro Dia

Fevereiro 11, 2008

—–A princípio é simples, anda-se sozinho
—–Passa-se nas ruas bem devagarinho
—–Está-se bem no silêncio e no burburinho
—–Bebe-se as certezas num copo de vinho…

—–É-me muito difícil aceitar que o faças. Desculpa se não te apoio o suficiente, mas estou amargo demais para o que quer que seja.
—–Ando a deambular no meio das pessoas, absorto em mim. Penso. Em mim, em ti, na vida, na volta que deu a vida por causa de um mero descuido… Mas o descuido não foi pequeno, ou, se foi pequeno, a marca que deixou é enorme.
—–Uma marca de vida. E essa vida mudaria as nossas…
—–Dizes-me ser melhor assim. Não foste a única a dizê-lo. Por enquanto vou fazer de conta que acredito…
—–Eu era senhor das certezas, tudo sob controlo, sabia bem o que queria, vergava tudo à minha vontade.
—–Agora vejo as minhas certezas boiarem no copo de vodka transparente que tenho na mão. Estou vergado demais para ter vontade…
—–Preciso de qualquer coisa que bata depressa. Estou demasiado tenso…
—–É hoje que vais para lá… Hoje, porque já passa da meia-noite…

—–…hoje é o primeiro dia do resto da tua vida…

—–Pouco a pouco o passo faz-se vagabundo
—–Dá-se a volta ao medo, dá-se a volta ao mundo
—–Diz-se do passado, que está moribundo
—–Bebe-se o alento num copo sem fundo…

—–Já fiz quilómetros. Finalmente estou perdida. Perdida no escuro da praia. No escuro da noite.
—–É lua nova.
—–Hoje corri, gritei, chorei, gemi. Amaldiçoei a sorte, minha e de outros, atirei com palavras salgadas às dunas, comi as pedras da areia, afoguei-me lágrimas obstinadas.
—–Não senti fome, sede ou frio, não sinto a dor da minha perna esquartejada pelos espinhos duma planta escondida nas dunas.
—–A água do mar não me soube salgada (talvez das lágrimas que já engoli), o sol não me secou a pele nem a roupa, queria agarrar-me ao fundo e ficar lá para sempre a bambolear com as ondas…
—–Hoje não… Ontem. Já passa da meia-noite.

—–…hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

—–E é então que amigos nos oferecem leito
—–Entra-se cansado e sai-se refeito
—–Luta-se por tudo o que se leva a peito
—–Bebe-se, come-se e alguém nos diz: bom proveito…

—–Estava embalado no jogo de penaltis e shots quando tu resolveste interromper a minha proeza de beber a mistura especial do bar da praia toda de uma vez…
—–- ‘Tas-te a passar? Queres dar entrada em coma alcoólica?
—–Eu estava passado. Passado e completamente bêbedo. Comecei a gritar:
—–- E depois, ah? E se entrasse? Que raio é que tu tens a ver com isso? Mas o que é que tu sabes da minha vida? Que ideia é que tu fazes daquilo que eu estou a passar? Falar é muito fácil quando se está de fora, não é? Enquanto tu te andas aí a divertir a comer a praia inteira eu estou aqui enterrado por me ter dado a uma só! E tu não tens ideia nenhuma do que é isso! NENHUMA!…
—–Enfiaste-me um murro no queixo, que me virou, e caí no chão. Grande pancada. Está tudo a andar à roda. Estou enjoado…
—–Levantaste-me e quase me atiraste porta fora, ou então foi a sensação que tive por mal me segurar nas pernas com tamanha bebedeira.
—–O meu estômago tem um tornado interno.
—–Vomitei. Vomitei tudo. Raiva, medo, vergonha, pena (que tinha de mim próprio).
—–Tu ficaste impávido e sereno a ouvir o meu vómito. Ficaste à espera que deitasse tudo para fora, ao contrário dos anormais que me alimentaram a raiva e o medo e a vergonha.
—–É bom ter amigos como tu por perto. O mais certo teria sido eu entrar em coma mesmo…

—–- ‘Tás melhor?
—–- ‘Tou… Ou acho que sim…
—–- Ela já foi?
—–- Mandou-me uma mensagem a dizer que ia lá ter de táxi…
—–- Só isso?
—–- Que mais querias que ela dissesse?
—–- Uns beijinhos ao menos…
—–Rimo-nos. Tu conhece-la minimamente, sabes bem que ela não é de demonstrações amorosas de meio em meio minuto, muito menos de mensagens cheias de beijinhos queridos ou fofos, que na sua opinião são do mais lamechas que pode haver… Chega a classificar isso de enjoativo…
—–- Sempre achei a vossa relação super esquisita. Não dá para saber o que é que vocês são exactamente… Sempre descomprometidos, nunca assumiram nada, mas desapareciam de repente, evaporavam-se e nunca dá para ter a certeza de estarem ou não juntos… Ela já tinha fama de ser assim, um espécie de lenda… Apetecível mas inatingível…
—–- Ela ensinou-me a tornar-me invisível. E qualquer relação amorosa dela é só dela, não lhe interessa que saibam que ela possui o que tem. Detesta que saibam das relações dela principalmente por causa das especulações que fazem outras pessoas… Mas também não mente… É um não dizer sem esconder nada, até porque ninguém tem nada a ver com isso…
—–- Ainda vais ter de me dizer como é que apanhaste aquele avião…
—–- Não fui eu que a apanhei… Foi ela que me apanhou a mim…
—–- Ela mordeu o isco e tu foste agarrado à cana de pesca…
—–Se há coisa que aprecio em ti é maneira seria que brincas com as coisas. Consegues sempre fazer-me rir… Agora só consegui dar-te um sorriso, porque não tenho força para mais…
—–- Entre as muitas coisas que aprendi com ela, percebi finalmente porque é que dizem que o amor não serve para prender… É para libertar…

—–- Pareces um velho a falar…
—–- E sinto-me bem velho…
—–Não fazes ideia o quão bem me soube essa palmada nas costas. Se fosse noutra altura qualquer tinha-te insultado a seguir por causa da força exagerada com que me bateste. Mas hoje eu estava mesmo a precisar…
—–Estava a precisar do murro que me deste para acordar, para sair do síndrome “só a mim é que me acontecem os males do mundo”. Estava a precisar dessa palmada nas costas para me sentir acompanhado, para me sentir seguro.
—–Agarraste-me no ombro. Também estás nervoso… Ou então sou eu que te passo o meu nervosismo…

—–- Essas tretas de que o homem não chora já são tão retardadas como o casamento com uma virgem imaculada… Tu não estás cansado, estás praticamente morto. E esse suportar o choro só te faz ficar pior. É lua nova, não se vê nada à frente, eu faço de conta que me evaporo, e tu choras o que tiveres para chorar, senão depois não tens lenço para o dilúvio final… E eu não quero ter de te espancar para tu chorares…
—–Eu chorei. Chorei todos os dias reprimidos numa caixa de ferro, frio e ferrugento. Chorei para limpar a fuligem das memórias torturadas nesta câmara de vácuo cheia de gritos. Abri finalmente as comportas da minha barragem.
—–Funguei e tu deste-me um lenço de papel amassado. Ranho é para o lixo assim como o peso desnecessário das lágrimas que estavam aprisionadas.
—–Decidimos ir para casa. Entrar de novo naquele bar era a minha perdição e eu já ando suficientemente perdido.

—–- Aquilo é amanhã?
—–- É hoje. E já passa muito da meia noite…

—–…e vem-nos à memória uma frase batida
—–hoje é o primeiro dia do resto da tua vida…

—–Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja
—–Olha-se para dentro e já pouco sobeja
—–Pede-se o descanso, por curto que seja
—–Apagam-se dúvidas num mar de cerveja…

—–Finalmente venceu-me o cansaço das pernas. É melhor sentar-me.
—–Ninguém aqui me pode ajudar. Preciso de um amigo, de uma mão, de um braço, de um corpo inteiro para me amparar…
—–Não sei onde procurar abrigo, a lua hoje escondeu-se atrás da sua sombra, e deixou-me a mim sem a minha.
—–Tanta gente que conheci nestas férias, aqui e ali, por estas praias que percorri tresloucada, mas estou completamente sozinha… eu gosto de estar sozinha, mas não é agora…
—–A noite é escura.
—–Telemóvel. Marcação automática dos meus dedos. Não preciso de olhar para o número, já sei de quem é. Do outro lado sei que vai estar a mão que eu preciso, que me vai responder racionalmente, como pessoa, como mulher e como amiga.
—–- Estou?

—–- Estava era a ver que nunca mais ligavas!
—–- E eu estava a ver que nunca mais me lembrava…
—–- Que foi?
—–- Estou grávida…
—–Suspiros. As duas tentávamos escolher palavras… Não havia outra maneira de explicar que talvez o defeito estivesse no preservativo mal colocado, no meio do alvoroço apaixonado.

—–- Agora deves estar um coração alvoraçado… O pai?
—–- É ele.
—–- Então isso é recente!
—–- Muito…
—–- E ele?
—–- Ainda agora o disseste… Coração alvoraçado.
—–- E tu?
—–- Definitivamente destrambelhada…
—–- Os teus pais?
—–- Nem sonham!
—–- Vais contar-lhes?
—–- Só se quiser dar-lhes uma enxurrada de desgosto…
—–- Tantos?
—–- Deixar de se virgem imaculada oficialmente, arranjar casamento tão cedo, tendo em conta que o genro não é exactamente o protótipo de genro perfeito, é um puto de fraldas que acabou de sair da incubadora…
—–- Não vais cometer essa loucura!
—–- Já estou perdida em tantas…
—–- Mas vais casar?
—–- Nem morta!
—–- Já fique mais aliviada… Que vais fazer então?
—–Não respondi… E o meu silencio foi resposta. Há quem lhe chame telepatia… Eu chamo-lhe amizade, cumplicidade e conhecimento que se tem por outrem, mas fica demasiado comprido…
—–- Não te posso fazer mais nada senão dar-te força, a menos que queiras que diga as pinderiquices do costume…
—–- Não precisas. Ninguém o pode fazer por mim.
—–- Tu sempre foste forte. É mais uma que tens de aguentar. E vai correr tudo bem…
—–- Já estás com as pinderiquices do costume.
—–- Não resisti! Apetece-me dar-te um par de estalos e daqueles abraços bem fortes, mas pelo telefone não dá…
—–- Diz-me sinceramente…
—–- O quê?
—–- Achas que faço mal?
—–- Não. Estás a fazer aquilo que acreditas que é melhor. E não está mal fazer aquilo em que acreditamos, podemos quando muito é estar mal acreditados… Alem disso eu sempre pensei como tu, faria o mesmo se tivesse coragem…
—–- A coragem fugiu-me… Agora essa ladainha toda que eu defendia parece-me só garganta…
—–- E era. Falavas de cor, sem nunca ter passado por isso. Depois já vais poder falar como experimentada. E coragem tu tem-la. És um poço disso. Mas se fizeres questão mando-te um bocadinho…
—–Rimos. Sempre tivemos personalidades muito fortes, sempre fomos fortes as duas, e ampararmo-nos uma à outra solidificava bem essa força…
—–Posso sentir uma brisa suave agora. Agora, que me saiu um peso de cima, já consigo ouvir o respirar da noite. É calma… É funda… É nesta respiração sonolenta que vou buscar a coragem que me falta para o grande mergulho…

—–- É amanha?
—–- É hoje. Já passa da meia-noite….

—–…e vem-nos à memória uma frase batida
—–hoje é o primeiro dia do resto da tua vida…

—–Enfim duma escolha faz-se um desafio
—–Enfrenta-se a vida de fio a pavio
—–Navega-se sem mar, sem vela ou navio
—–Bebe-se a coragem até dum copo vazio…

—–Pedi para mo fazerem de madrugada. Fiquei surpreendida por aceitarem e até agradeceram. Dizem ser mais suspeito durante o dia…
—–Sinto-me encarcerada em quatro paredes. Uma janela escura da noite lá fora…
—–Estão a preparar a sala.
—–Uma enfermeira deu-me uns concelhos.
—–Um rapaz novito, que deve ser uma espécie de assistente, ofereceu-me um cigarro.
—–Não fumo. Mas apetece-me cometer o estúpido erro de experimentar aquele fumo a inundar-me os pulmões, só que já estou suficientemente inundada…
—–Deixei-me ficar do lado de fora, só trouxe o meu corpo para este corredor da morte…
—–A coragem trouxe-a na mala, ou mochila, e nos espaços que ficaram ocos em mim…
—–Decidi que o ia fazer, agora vou até ao fim. E digo isto para me convencer a mim mesma de que já não posso andar para trás…
—–Não acho que este seja o caminho mais fácil ou mais difícil, mas torna-o mais suportável pensar que não havia outra solução… E para mim não há.
—–Não faço ideia no que me vou meter…
—–Disseram-me que, com um feto tão pequeno, seria fácil e rápido. Só peço isso.
—–Não gosto que me mexam nas entranhas, e sempre tive alguma relutância em ir ao ginecologista, por isso a ideia de estar de pernas abertas em frente a alguém e ser invadida por “aparelhómetros” esquisitos para tirar vida de dentro de mim não me agrada. Mas não há solução agora.
—–Está tudo pronto. Fui chamada.
—–Está à minha espera uma maca, ou cama, ou caixão de descuidos irrevogáveis… O seu convite é duvidoso.
—–Sinto-me a caminhar para a morte…
—–Anestesiaram-me, mas vendo bem eu já estava anestesiada quando aqui cheguei. Anestesiada da horroridade da realidade do que vou fazer.
—–O meu pensamento está cada vez mais arrastado… Estou a cair no vazio, ouço as coisas cada vez mais longe… Sinto esvaziar-me de tudo, como se o meu espírito liquido se esvaísse pelas extremidades do meu corpo… Das pontas dos dedos, das mão e dos pés, por entre as pernas, escorre um fluido…

—–…E continuo a cair desamparada, sem que ninguém note, assim de mansinho…
—–…E deixo afundar-me em mágoas sem nome…
—–Se ainda não cheguei ao ponto do afogamento em que nos deixamos levar, estou muito perto…
—–…E sinto uma força escura apertar-me o peito, como um demónio viscoso… Mas não o enxoto, pelo contrário…
—–…Acaricio-o, afago-o, faço-o crescer…
—–…E gritos sopram-me aos ouvidos estórias melancólicas que são minhas, mas das quais não me lembro…
—–…Passei-as, fechei-as num quarto e fiz perdida a chave da porta…
—–…E tranquei-me lá dentro sem o saber…
—–Envenenada de agonias, embriagada de lágrimas, deixo-me levar como criança iludida…
—–…E sorrio à sua própria tristeza, a única que tenho por companhia, cada vez mais fundo, numa gruta de gritos emudecidos que nunca ganharam forma…
—–…E este é um dos poucos que consegue escapar…
—–…E são os que escapam que deixam entrar uma lufada de ar…
—–…E não deixam que me esqueça para onde fica a saída…

—–…hoje é o primeiro dia do resto da tua vida…

—–E entretanto o tempo fez cinza da brasa
—–E outra maré-cheia virá da maré vaza
—–Nasce um novo dia e no braço outra asa
—–Brinda-se aos amores com o vinho da casa…

—–Adormeci no chão da sala, depois de ter tropeçado e não ter tido nem força nem vontade de me levantar…
—–Ainda é muito cedo…
—–Há uma luz azulada a entrar-me pela janela… Foi por esta janela que entramos pela primeira vez… Foi por esta janela que escapaste com as minhas asas…
—–As nossas asas… Lembraste quando as abrias desmedidamente para levar tudo o que era teu? Quando fugias por janelas abertas por estarem as portas fechadas? Quando perdias o tino e deixavas que elas te guiassem para um mundo transcendente que me aturdia e deixava sem ponta de sangue?
—–As tuas quiseram ensinar-me a fazer isso mas sempre fui mais cobarde… Ou mais comodista… Ao menos uma coisa posso dizer de bem sobre mim, não fui eu que me adaptei aos padrões, adaptei antes os padrões a mim, até porque se fosse totalmente aos quadrados nunca te tinha tido.
—–Gostas de tudo misturado, de não cumprir as regras, de sair dos padrões, mas também não és do contra, fazes somente o que te apetece… Se tiveres de gritar no meio da rua gritas, se quiseres dançar perdidamente fechas os olhos e esqueces o mundo.
—–Fazes da tua a vida um carrossel de sonhos que outros consideram impossíveis por nunca os terem tentado. E tu alcança-los, no fundo fazes o que queres, consegues tudo o que queres…
—–Nisso somos parecidos, mas tu sonhas bem alto, voas bem mais alto…
—–Ensinaste-me que poses impõem um tecto à nossa espontaneidade. E a tua é tão bonita…
—–Ainda é muito cedo…
—–Por esta hora deves estar no recobro… Espero que não te tenham tirado as asas. Sei que estão magoadas, partidas, depenadas como as minhas, mas precisamos delas para continuar.
—–Sonhei com dois pássaros de asas ardentes. Voaram sem cessar e foram espalhando as cinzas numa água escura.
—–Quando já só restavam as cinzas a boiar na água, formou-se um remoinho assombroso e de lá saiu luz. Uma luz imensa, mas não era branca… Era da mesma cor indefinível que tinham os teus olhos naquele dia tempestuoso…
—–E saiu de lá um anjo. Um anjo de asas titânicas. Um anjo com a tua cara.
—–O anjo (ou tu) voltou ao fundo do remoinho e vi-me a mim a sorrir com asas novas. Estendeste-me a mão, agarrei-a e deixei que as minhas asas se abrissem para um novo que eu ainda não conheço…
—–Nunca acreditei em histórias de prever o futuro. Hoje vou acreditar que, depois das nossas chagas arderem, teremos asas ainda maiores. E vou perder o medo de voar para ir ter ao alto contigo…
—–Quando acordares vais provavelmente refugiar-te na praia, e eu vou estar atento, para te salvar do mergulho… Mas hoje ainda é muito cedo…

—–…e vem-nos à memória uma frase batida
—–hoje é o primeiro dia do resto da tua vida…- Sérgio Godinho, Primeiro Dia

Grita o mar

sussurra o vento

cantam os grilos

e o meu alento

Vejo as estrelas

chamo por elas

se elas respondem

ficam mais belas

se não responderem

deixo-me estar

há-de haver uma

que me vai chamar

É nessa altura

é ao chamamento

que o meu espirito

que jaze ao relento

vai acordar

e, ou o sonho vai perseguir

ou adormece

e deixa-o fugir…

Sonho fugido

quase esquecido

pode voltar

trazido pelo vento

de uma estrela, o chamamento

ou simplesmente

permanece assim

perdido nas ondas

de um mar sem fim…