água quente
Junho 12, 2007
Diz-me coisas bonitas ao ouvido
que me queres
que te apeteço
que não sabes se sou
mas que pareço
uma daquelas actrizes fantásticas
mas sem cicatrizes de plásticas
sem maquilhagens elaboradas
sem vestimentas aprumadas
sem plásticos e placas de sorridentes
sem fingimentos
sem tormentos deprimentes
sem línguas bifurcadas de serpente.
Diz-me que só vês simplicidade
no meu corpo mergulhado em água quente.
Inês Amorim
Conta-me uma história…
Junho 8, 2007
Conta-me uma história, uma daquelas bonitas, todas romanceadas e com finais felizes.
Conta-me uma de anões e fadas e elfos, com cogumelos a fazer de casa, os cascos das árvores com esconderijos e o controlar das estações como emprego.
Talvez os verões e invernos estejam todos misturados porque já ninguém conta histórias de anões, fadas e elfos.
Conta-me uma em que eles não estejam tristes, em que brinquem cm gotas de orvalho, dancem com as folhas e o vento e cuidem das árvores e das flores e dos frutos.
Inventa rituais diários para eles, distribui-lhes tarefas e fá-los gostarem todos uns dos outros. Esquece diferenciações e hierarquias e qualquer outra coisa que os distinga. Fá-los todos iguais em valor e importância.
Inventa-lhes comidas estranhas de pós e pólenes e pétalas das flores, ou de relva e fungos e fruta.
Conta-me só uma historia, uma qualquer, daquelas que começam com “era uma vez…” e acabam com “… e viveram felizes para sempre”, para eu adormecer descansada, pequenina e com sonhos de uma criança feliz.
Inês Amorim