Hora Certa

Novembro 4, 2013

“Eu desejei-te e pedi-te a estrelas cadentes,
Eu agarrei-te e impedi-te de noites ausentes e anulei para servir-te meus sentimentos,
Eu acusei-me e defendi-te com unhas e dentes,
E foi a ti a quem escrevi cartas transparentes,
E construí só para ti sonhos de adolescente, e foram anos que ofereci a um coração carente,
Confiando que no fim me desses o suficiente,
E agora como é que eu te deixo ir embora (?),
Como é que eu te largo, faço o luto e mando fora (?),
Como é que eu luto contra o susto da ruptura e asseguro que não te quero no futuro (?),
Como é que eu lido sobretudo com o hábito (?),
Como é que eu tiro o que era nosso do armário (?),
Como é que eu vivo como outra na tua vida (?),
Como é que eu vivo outra vida, a minha (?)

Qual é a hora, a hora certa, a hora de ir embora (?),
Será desta, será esta a hora certa para ir embora (?),
No amor e na festa,
Só há esta,
Só há uma hora certa,
A hora de ir embora à hora certa!

Mesmo que já não te queira,
Mesmo que seja uma asneira,
Como é que eu estou certa que é a coisa certa e que esta porta já não pode ser aberta (?),
Como é que eu a fecho(?),
Como é que eu te deixo (?),
Mesmo que já não recorde todos os nossos recordes,
Tanta coisa podre e a dor que já não morde,
Eu tenho de ser forte,
Saber manter o corte e calar o desejo,
Calar o desejo, e se eu te quiser de volta(?),
E se esta for a escolha,
Como de roleta à solta,
Como é que eu decido (?),
E se este foi o quadro que pintei a régua e esquadro e pendurei lá no alto,
Como é que eu o tiro (?),
Como é que se desiste,
Depois de tanto que se insiste,
Não é triste,
Não é isto um fracasso como o punho em riste(?),
Ou será coragem e virá a recompensa (?),
Dispenso a bagagem para a viagem porque peso não apressa e se ainda não foi desta,
Arrastar carcaças é desporto que não presta,
Se ainda não foi desta,
Chorar e escrever cartas é desgosto que não cessa!

É a hora certa…é a hora certa…qual é a hora certa?
Eu desejei-te e pedi-te a estrelas cadentes,
Eu agarrei-te e impedi-te de noites ausentes e anulei para servir-te meus sentimentos,
Eu acusei-me e defendi-te com unhas e dentes, e foi a ti a quem escrevi cartas transparentes,
E construí só para ti sonhos de adolescente,
E foram anos que ofereci a um coração carente,
Confiando que no fim me desses o suficiente!”

 

Capicua

São Valentim

Fevereiro 14, 2013

É quando me deito que sinto mais a tua falta. Quando o meu cérebro faz a última revisão do dia que eu gostaria de te contar. Pergunto-me o que acharias dos meus lamentos. Insignificantes, provavelmente, consegues ser muito mais pragmático que eu. Acho que não me importaria, essa leveza com que encaras tudo dá-me as vezes uma certa calma.

Pergunto-me o que terás tu andando a fazer… Se te perguntar vais responder-me que “nada”. Mas esse teu “nada” para mim é tanto, que ficaria horas a ouvi-lo. Conseguiria imaginar todas as cenas, à medida que mas contasses. Tu a veres futebol, três ou quatro jogos numa dia, todos de ligas diferentes. O encontro com os teus amigos, dos quais posso mesmo visualizar dois ou três. Os sitio aos quais tiveste que ir, mesmo que não os conheça… O teu rabujar constante, só porque sim.

Ás vezes invejo-te por essa tua ponderação, por essa calma… Nada em ti parece ferver, a não ser o futebol, claro. E já não me surpreendia assim há tanto tempo. E é tão bom estar de volta a palavras melosas, seja por ti, seja por quem for…

Fizeste-me voltar a vontade de vir aqui remexer em palavras e sentimentos, de escrever, de ler estas relíquias perdidas, das quais me esqueço constantemente (bem que faço por isso). É curioso como ao fim de algum tempo consigo distanciar perfeitamente o texto da pessoa para quem o escrevi. É como se nunca tivessem sido escritos para ninguém. Na verdade, não foram, foram escritos para mim. A pensar em alguém, é certo, mas era simplesmente eu a dizer a mim própria aquilo que gostaria de ouvir.

Agora olho para eles e tenho uma vontade de sorrir enorme… Nunca fui boa a dar continuidade a coisas deste género, mas nunca tenho coragem de acabar com isto. Fica sempre uma nostalgia, uma necessidade de manter o porto onde atracar de vez em quando, para me lembrar que nem toda eu sou feita de pedra. Era tão mais fácil para mim se fosse.

Seria mais fácil para mim e para ti, porque eu não teria esta vontade urgente saber de ti, de sermos juntos. E digo “sermos” e não “estarmos”, exactamente porque o “estar” é muito físico, e essa não é, de longe, a minha maior necessidade. Talvez assim eu conseguisse gerir o que eu quero com aquilo que podemos ter. Mas eu nunca fui boa nisso.

Nunca aprendi a chegar a ninguém. E tenho imensa pena, porque agora sinto-me completamente impotente para chegar a ti. Acho que é por isso que me atrapalho tanto, que me confundo tanto… Esperei sempre que viessem ao meu encontro, e agora não sei fazer o percurso inverso.

Perdoa-me ser tão atabalhoada, mas ha muito tempo que não sentia uma borboleta miudinha a dançar-me no estômago. É tão bom, faz-me sentir tão leve… E é tão giro ver que as coisas que escrevi aqui, algumas eu poderia dizer-tas, porque também se aplicariam a ti. Não porque tivesses alguma coisa a ver com aqueles para quem as escrevi, mas porque estas frases soltas são, no fundo, só minhas. E como são minha eu dou-as a quem quiser…

Beijar com os dentes

Maio 1, 2011

Adoro beijar-te com os dentes. Trincar-te o pescoço, primeiro devagar, lento, molhado… De repente apertar com força, deixar-te a marca e fugir. Mas não para muito longe.
Dois passos atrás e já me agarraste a encostaste à parede. É tua vingança. Também tu gostas de beijar com os dentes. E com as mãos, com o peito, com o corpo todo.
Se nos apertas mais eu deixo de respirar, mas na verdade, acho que nem preciso. Preciso dos teus dentes no meu pescoço, de te morder lábio, de sentir as tuas mãos apertarem-me os braços um contra o outro, atrás das minhas costas para não me conseguir soltar.
Eu vou morder-te até me soltares. E em seguida vou fugir novamente só para que me apanhes mais uma vez, para que te vingues, para te teres de prender as minhas pernas com as tuas. E tu vais morder-me mais, para me castigares, o pescoço, a clavicula, o ombro, o peito… se desceres mais eu solto-me. E aí vou morder-te a camisola, que estou farta que a tenhas vestida.
Quero marcar-te o tronco, as costelas, a barriga. Vou cravar as minhas unhas nas tuas costas e arranhar-te de uma ponta à outra. Vou inspirar o teu cheiro, em substituição do oxigénio do ar. Vou fundir-me contigo.
Vamos beijarmo-nos, mordermo-nos e comermo-nos como se não houvesse amanhã. Porque, na verdade, para nós o amanhã não existe.

Fevereiro 21, 2011

“We could have had it all,
Rolling in the deep,
You had my heart inside of your hands,
And you played it to the beat.”

Novembro 10, 2010

Não consigo deixar de pensar no desperdício que somos, no amor que não agarramos.

Julho 13, 2010

“O que torna a tua rosa especial é o cuidado que tu lhe dás
Todas as rosas são vulgares até serem tuas
Todos os homens serão vulgares
Até encontrares e transformares o teu”

Abril 5, 2010

Tenho a mão muito pesada, de ninguém a segurar…

Março 15, 2010

Apetecem-me beijos e mimos.

… e mais uma vez foi lindo.

Sempre… Para sempre

Janeiro 10, 2010

“Há amor amigo
Amor rebelde
Amor antigo
Amor da pele

Há amor tão longe
Amor distante
Amor de olhos
Amor de amante

Há amor de inverno
Amor de verão
Amor que rouba
Como um ladrão

Há amor passageiro
Amor não amado
Amor que aparece
Amor descartado

Há amor despido
Amor ausente
Amor de corpo
E sangue, bem quente

Há amor adulto
Amor pensado
Amor sem insulto
Mas nunca, nunca tocado

Há amor secreto
De cheiro intenso
Amor tão próximo
Amor de incenso

Há amor que mata
Amor que mente
Amor que nada, mas nada
Te faz contente, me faz contente

Há amor tão fraco
Amor não assumido
Amor de quarto
Que faz sentido

Há amor eterno
Sem nunca, talvez
Amor tão certo
Que acaba de vez

Há amor de certezas
Que não trará dor
Amor que afinal
É amor,
Sem amor

O amor é tudo,
Tudo isto
E nada disto
Para tanta gente

É acabar de maneira igual
E recomeçar
Um amor diferente
Sempre, para sempre
Para sempre”

Donna Maria

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